acordei com o som fraco do despertador. sete e meia. a mudança da hora fazia com que aquelas sete e meia não tivessem tanta luz como de costume. desci da cama depois de uns cinco minutos enrodilhados em coisas sonhadas ou pensadas. não sei bem. depois da casa de banho passei à cozinha. ao lume pus a cafeteira para o café e na torradeira uma fatia de pão acabado de cortar. tudo com aquele cheiro característico das coisas que se fazem para as pessoas da casa ao invés das que se fabricam em quantidade para os desconhecidos. parece-me que o bom do caseiro é saber-se para quem se faz e é bom porque tem o gosto de quem faz para quem come. também pode ter o desgosto mas ainda assim tem intenção e não a temível indiferença.
à minha mãe - a única acordada - dei um beijo de despedida e um até para a semana. em cima da mesa da sala, na parte de trás de um envelope já meio amarelo, deixei escritos alguns cumprimentos para todos.
à minha mãe - a única acordada - dei um beijo de despedida e um até para a semana. em cima da mesa da sala, na parte de trás de um envelope já meio amarelo, deixei escritos alguns cumprimentos para todos.
entrei no carro, verifiquei que o depósito ainda seria suficiente para uns bons quilómetros, e tomei a direcção de lisboa. a viagem foi tranquila como se querem todas as viagens e passeios aos domingos de manhã.
gosto de acordar cedo aos domingo de manhã e sair, de carro ou a pé. é como se esse tempo fosse a mais. como um usufruto discreto de uns bons minutos antes do início da contagem do tempo.
quando cheguei e entrei no metro era só eu, a senhora da limpeza, o segurança e a voz feminina que nos pedia com alguma insistência que cuidássemos a bagagem pessoal. o metro chegou. entrei. sentei-me. revi as paragens. ouvi outra voz feminina que, ao jeito da via-sacra, ia enumerando os nomes das estações e as respectivas correspondências sempre que as havia. saí no chiado, como previsto. e lisboa, em manhã de domingo, como todas as cidades, como todas as terras, como todas as pessoas, estava particularmente bonita. eram nove e meia.
1 comentários:
Senti a paz que transmitiste!
E consegui ver o soriso discreto que exibias.
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